A COMUNIDADE DO MOINHO
A Comunidade do Moinho é composta por cerca de 800 famílias de baixa renda e está consolidada há cerca de 30 anos no Bairro de Campos Elíseos, região central da cidade de São Paulo, entre duas linhas de trens.
O Moinho Central, como era seu nome oficial, possuía seis silos, dos quais hoje restam apenas três e um prédio de seis andares – praticamente em ruínas – que funcionaram pelo menos até o começo dos anos 60 e que passaram a ser ocupados na década de 1980. Não é fácil chegar à Favela do Moinho: "escondida" do resto da cidade, ela se espreme embaixo do viaduto Orlando Murgel, no cruzamento da Rua Dr. Elias Chaves com a Avenida Rio branco.
A área faz parte do projeto de revitalização do centro da cidade de São Paulo e a prefeitura pretende construir um parque no terreno, ameaçando a comunidade de despejo. Essas famílias que vivem entre os trilhos são só um exemplo dos desafios que a cidade precisa enfrentar para resolver o déficit habitacional. Um sexto da população paulistana vive em condições precárias.
A infra-estrutura do Moinho, de fato, é precária, porém há um plano de urbanização criado durante a gestão anterior do município, que não foi levado adiante devido aos novos interesses da prefeitura na área.
Segundo a prefeitura, a favela só apareceu em 2001. No entanto, há moradores que afirmam morar no Moinho desde a década de 1980 e, de acordo com a Associação de Moradores, atualmente, vivem lá cerca de 3.500 pessoas. Os moradores reclamam de serem totalmente discriminados pelas instâncias públicas e de se sentirem abandonados.
Hoje o Moinho pode ser considerado uma "micro cidade paralela" dentro da capital paulista, e a Associação Raso da Catarina acredita que levando arte à comunidade poderá gerar alegria, visibilidade e um pouco de dignidade aos moradores. |